Comboio Histórico do Douro

Uma viagem ao passado

Os encantos da linha do Douro são sobejamente conhecidos, percorre-la na carismática Locomotiva a vapor, construída em 1925 pela Henschel & Son, é verdadeiramente imperdível.

O comboio histórico do douro partia às 15:22, mas eram 15:00 e a estação já estava cheia. O calor fazia-se sentir, mas nada impedia o entusiamo de todos que ali estavam para viajar até ao passado. As suas cinco carruagens de madeira, faziam a delícia de miúdos e graúdos, a curiosidade era muita e todos os detalhes das carruagens eram apreciadas. A escolha do lugar é cuidadosa, pois quase parecia que estávamos num museu.

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Antes de partir, ainda deu tempo para ir à locomotiva e ouvir uma breve explicação de como funciona o comboio. Ficamos a saber que a nova caldeira, faz que a energia de propulsão seja gerada pelo aquecimento da água e não pelo carvão  Na locomotiva deviam estar uns 40 graus! Incrível como o maquinista consegue permanecer, lá dentro, todo a viagem!

“Pouca terra, pouca terra, u-uuu”

À hora marcada o comboio apitou e começou a viagem pelo passado. “Pouca terra, pouca terra, u-uuu”, começou o vapor a sair da locomotiva, e era a única imagem que me vinha à cabeça. O imaginário infantil dos comboios a vapor a passarem pela estação e a deixarem o céu desenhado com uma nuvem de fumo, era mesmo o que estava a acontecer! Estamos em pleno seculo XXI a reviver o romantismo de outros tempos.

O olhar inicial de entusiasmo com todos os pormenores da carruagem direcionou-se para as janelas para contemplar a bela paisagem duriense. Paisagem única classificada pela UNESCO como Património Mundial. Seguimos rumo ao Pinhão, sempre com o rio Douro na mira e somos surpreendidos com um grupo de músicos da região, vestidos a rigor com trajes tradicionais. A pandeireta, o tambor e o acordeão acompanham os cantares do norte e de imediato alguns passageiros começam também a cantar e a dançar. Uma coisa é certa, mesmo para os mais tímidos, é impossível que o corpo fique quieto perante alegre animação. Um dos elementos do grupo, serve vinho do Porto e os famosos rebuçados da Régua (mistura de mel, açúcar e mel).

A música continua sempre presente, fazendo umas pausas para ouvirmos o som das rodas nos carris e apreciarmos a paisagem que se vai desenhado através das janelas. Muitos são os passageiros que vão com a cabeça na janela, sentindo o vento no rosto. O comboio nunca passa despercebido, todos acenam à sua passagem, seja nas estações e apeadeiros, seja nos barcos que passam pelo rio Douro. A alegria dos passageiros é uma constante.

A caminho do Pinhão

Passamos pela pequena estação Covelinhas e mais à frente chegamos ao Pinhão, quando o comboio cruza o rio Pinhão, afluente do Douro. Terra que se desenvolveu em torno do comércio do Vinho do Porto e da via-férrea que chegou ao Pinhão em 1880 (na altura moravam cerca de 300 pessoas). Na paragem no Pinhão é feita uma visita à Wine House, onde pode degustar uma grande variedade de vinhos do Douro e produtos regionais e se quiser, comprar para se deliciar quando regressar a casa. Os azulejos produzidos na Fábrica Aleluia, de Aveiro, datados de 1937, embelezam de forma única a estação. São panéis de azulejos que retratam diversos aspetos da faina vinhateira bem como os seus usos e costumes. Desde das vindimas ao transporte e carregamento dos pipos nos barcos rabelos.

Durante a paragem, a locomotiva faz o restabelecimento de água. Muitos passageiros curiosos, registam o momento nos seus telemóveis ou máquina fotográficas.

A Caminho do Tua

Todos a bordo que o comboio vai prosseguir viagem. São mais 20 minutos bem junto ao rio a 40/50 Km/h. Passamos sobre o rio Tua através da sua ponte metálica, que deixa alguns passageiros um pouco incomodados pela sua altura (no pilar sul atinge 90 m de altura).

A paisagem vai mudando aos poucos, devido à confluência com o rio Tua, tornando-se mais rochosa e agreste, avistam-se algumas ilhotas rochosas com pouca vegetação.

Já na estação do Tua a locomotiva, volta a encher o depósito de água. Ao total são necessários 24 mil litros de água para se fazer a viagem.

A locomotiva muda de sentido para prosseguirmos viagem.

De regresso

São 17:30 e fazemos a viagem no sentido inverso, com outra iluminação, com as sombras da tarde a aparecer. Desfrutamos mais calmamente da viagem, pois a adrenalina inicial foi-se atenuando e agora incorporamos o espirito e que estamos mesmo a viajar no passado, como se fosse o nosso meio de transporte habitual. Recuámos no tempo e lá permanecemos até à chegada novamente à Régua. As conversas começaram a desenrolar e um interesse comum imperava. A paixão de reviver a história neste meio de transporte tão característico que nos deixou nostálgicos.

Informações

Preço:

42,50 €/adulto

19 €/criança (4 aos 12 anos)

Horário:

Saída da Régua: 15h22 – Chegada Tua:16h33

Saída Tua: 17h15 – Chegada à Régua:18h32

Duração: 3h e 10 m

Datas de Funcionamento do comboio:

Junho a Outubro, todos os sábados

De Julho a Setembro, também circula aos domingos

Em Agosto também viaja às 4º feiras e no feriado de 15 de Agosto.

Onde comprar:

Multibanco

Bilheteira On-line no site da CP

APP da CP

Linha de apoio: 707 210 220

Curiosidades:

Locomotiva a Vapor 0186

Construtor: Henschel & Son, 1925

Carruagem Histórica ACDT 484

Construtor: Nicaise&Delcuve (Bélgica), 1912

Carruagem Histórica CTF 5511

Construtor: Oficinas dos Caminhos-de-Ferro do Estado Minho e Douro – Porto Campanhã, 1930

Carruagem Histórica CTF 5513

Construtor: Oficinas dos Caminhos-de-Ferro do Estado Minho e Douro – Porto Campanhã, 1930

Carruagem Histórica ACDT 481

Construtor: Nicaise&Delcuve (Bélgica), 1908

Carruagem Histórica CTF 2282

Construtor: Oficinas Gerais da Figueira da Foz, 1934

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