A Rota Medieval e Judaica em Portugal

4 dias

A HappyPortugal através da TravelTailors propõe-lhe uma descoberta dos legados da Idade Média, das Ordens Religiosas e do povo Judeu em Portugal, em visitas guiadas por especialistas com formação avançada. Das montanhas das Beiras às planícies do Alentejo, viverá lendas antigas.

Percurso do Passeio

  • DIA 1: PORTO OU LISBOA - BELMONTE

    Viagem para Belmonte.

    Localizado nas faldas da Serra da Estrela e coroado pela massa granítica do antigo castelo, Belmonte foi o berço do navegador Pedro Álvares Cabral que, em 1500, descobriu o Brasil. A palavra Belmonte tem a ver com monte e julga-se que também com belo. A comunidade de Belmonte abriga um importante facto da história judaica, relacionado com a resistência dos judeus à intolerância religiosa na Península Ibérica.

    No século XVI, aquando da expulsão dos mouros da Península Ibérica e da reconquista das terras espanholas e portuguesas pelos reis católicos e por D. Manuel, foi instaurada uma lei que obrigava os judeus portugueses a converterem-se ou a deixarem o país. Muitos deles acabaram por abandonar Portugal, com medo de represálias da inquisição. Outros converteram-se ao cristianismo em termos oficiais, mantendo o seu culto e tradições culturais no âmbito familiar. Um terceiro grupo de judeus, porém, tomou uma medida mais extrema.

    Vários decidiram isolar-se do mundo exterior, cortando o contacto com o resto do país e seguindo suas tradições à risca. Tais pessoas foram chamadas de marranos, numa alusão à proibição ritual de comer carne de porco. Durante séculos os marranos de Belmonte mantiveram as suas tradições judaicas quase intactas, tornando-se um caso excepcional de comunidade judaica.

    Somente nos anos 70 a comunidade estabeleceu contacto com os judeus de Israel e oficializou o judaísmo como sua religião. Em 2005 foi inaugurado na cidade o Museu Judaico de Belmonte, o primeiro do género em Portugal, que mostra as tradições e o dia-a-dia dessa comunidade. Alguns monumentos e lugares de referência são: o Castelo de Belmonte, a Torre de Centum Cellas, o Museu Judaico de Belmonte, o Museu dos Descobrimentos, o Museu do Azeite e a Pousada.

    A partir das 20h30: sugestão de jantar em restaurante de cozinha de autor, em Belmonte.

    Integrado num belo edifício histórico, encontra-se um dos restaurantes mais refinados da região, com magnífica vista sobre a Cova da Beira. A ementa apresenta sugestões diversificadas, sendo possível saborear pratos de inspiração regional (como o já famoso guisado de cabrito no pão de Caria) e também outras criações mais inovadoras.

    Alojamento no hotel da categoria seleccionada.

     

  • DIA 2: BELMONTE – CASTELO DE VIDE

    Viagem para Sortelha.

     

    O encanto desta aldeia reside na sua atmosfera medieval, onde as casas todas construídas em pedra de granito e geralmente de um só andar, se alicerçam na rocha e acompanham a topografia do terreno. Coroada por um castelo assente num formidável conjunto rochoso a 760 m de altitude, Sortelha mantém intacta a sua feição medieval na arquitectura das suas casas rurais em granito. Fazia parte da importante linha defensiva de castelos fronteiriços e o seu nome deriva da configuração do terreno em forma de um anel (sortija, em castelhano).

    A entrada faz-se por uma porta gótica sobre a qual vê-se um balcão (Varanda de Pilatos), com aberturas (mata-cães) por onde se lançavam toda a espécie de projécteis contra os atacantes. Antes da entrada, merecem atenção um bonito pelourinho, rematado pela esfera armilar, símbolo de D. Manuel I e o edifício onde funcionaram os Paços do Concelho, ambos do tempo daquele rei. Em redor de Sortelha, a paisagem tem a beleza rude das grandes pedras de granito e das matas de castanheiros que as acompanham.

    Na localidade de Casteleiro, na estrada para Belmonte, situava-se a estância medicinal das Águas Radium, que foram consideradas entre as mais radioactivas do mundo. Poderá ainda fazer um saudável percurso a pé seguindo a antiga via romano-medieval, por onde passavam os peregrinos para Santiago de Compostela.

    Viagem para Idanha-a-Velha e Monsanto.

    A sucessão de ocupações de diferentes povos legaram a Idanha-a-Velha um valioso património histórico. Quem visita a modesta aldeia actual e observa o seu ritmo pacífico terá dificuldade em imaginar que se encontra na antiquíssima e florescente Civitas Igaeditanorum romana na estrada peninsular que ligava Emerita (Mérida), a Braccara (Braga); na Egitânia, sede de bispado da época visigótica (séculos VI-VII); na Idânia muçulmana (séculos VIII-XII) quando atingiu uma grande dimensão e era uma quase tão rica quanto Lisboa. Depois foi o tempo das lutas entre cristãos e muçulmanos no primeiro século da nacionalidade portuguesa, quando D. Afonso Henriques a doou à Ordem dos Templários para seu repovoamento.

    Monsanto, escolhida em 1938 como aldeia mais portuguesa de Portugal, merece o título: empoleirada numa encosta granítica, as casas surgem apertadas entre enormes penedos, com minúsculos quintais e hortas separados por muros de pedra e ladeiras talhadas na rocha viva e que se fundem com ela. O castelo começou por ser um castro lusitano, depois restaurado pelos romanos, e sofreu uma longa história de combates e cercos. Tudo na aldeia foi cuidadosamente preservado. A difícil subida até ao castelo é largamente compensada por um dos mais deslumbrantes miradouros da região.

    A partir das 12h30: sugestão de almoço em restaurante de comida regional, em Monsanto.

    O primeiro geo-restaurante da Europa está na aldeia histórica de Monsanto. Este restaurante alia ementas relacionadas com a região a actividades de promoção do património geológico local. O restaurante foi edificado com recurso aos tradicionais penedos de granito, que lhe servem de paredes e mesmo de telhado.

    Viagem para Castelo de Vide.

    Castelo de Vide é uma bonita vila alentejana, localizada numa colina da Serra de São Mamede, num local bafejado pela beleza. O casario branco florido da Vila que sobe e desce a colina, encimado pelo Castelo, cruza-se com anos de história e ocupação bem remota, uma vez que na zona existem diversos legados megalíticos, como o Menir da Meada. Diversos são os monumentos e locais de interesse da vila, destacando-se o alto do seu Castelo e os bonitos panoramas, mas também a Judiaria, um dos exemplos mais importantes e bem preservados da presença judaica em Portugal, remontando ao século XIII. A Judiaria ainda conserva a Sinagoga, as janelas e portas ogivais das habitações e as portas da oficina ou comércio, algumas decoradas com símbolos profissionais. Guarda-se aqui igualmente um dos maiores espólios de arquitectura civil do período gótico. Na majestosa Praça D. Pedro V, encontra-se a Igreja de São João Baptista, o Hospital, a igreja Matriz, a Câmara Municipal e várias casas senhoriais e brasonadas que respiram história.

    Viagem para Marvão.

    Bem próxima da fronteira de Espanha, no ponto mais alto da bonita Serra de São Mamede, encontra-se a encantadora vila de Marvão, num ambiente de paz de espírito e tranquilidade, rodeada por muralhas do século XIII e do século XVII. Ao visitar Marvão, tem-se a certeza de se visitar a própria história, que corre nestas ruas estreitas de arquitectura alentejana, heranças góticas, manuelinas e testemunhos medievais de outros tempos, marcados no típico granito local. O Castelo e as imponentes muralhas do século XIII são monumentos inesquecíveis da Vila, mas Marvão tem mais para oferecer, como a Igreja Matriz do século XV, a antiga Igreja de Santa Maria, hoje interessante Museu Municipal, albergando colecções etnológicas e arqueológicas da região. Do alto de Marvão tem-se vistas surpreendentes sobre toda a envolvente área, destacando-se pontos como a Torre de Menagem ou a Pousada de Santa Maria.

    A partir das 20h30: sugestão de jantar em restaurante tradicional alentejano, em Marvão.

    Sendo a região alentejana famosa pela riqueza e variedade da sua excelente gastronomia, propomos-lhe que saboreie um delicioso menu com sabores fiéis ao pão e ao azeite, fiéis às ervas e plantas aromáticas, e ao sabor dos coentros e dos poejos, na Alhada de Cação ou na Carne de Porco à Alentejana: paladares variados que devem ser bem acompanhados com os bons e tradicionais vinhos alentejanos, ao sabor dos enchidos e dos queijos da região. E se o apetite sobrar, não deixe de provar os doces conventuais, como o Toucinho-do-Céu ou a Sericaia com Ameixas de Elvas.

    Alojamento no hotel da categoria seleccionada.

     

  • DIA 3: MARVÃO – TOMAR

    Viagem para o Crato.

    O município do Crato é marcado pela ocupação romana; pela Ordem dos Hospitalários (posteriormente Ordem Soberana e Militar de Malta) e por D. Álvaro Gonçalves Pereira, 1º Prior do Crato, que ergueu para sede da Ordem o imponente Mosteiro de Santa Maria de Flor da Rosa e o Palácio do Grão-Prior (arquitectura atribuída a Miguel Arruda) do qual apenas resta a imponente varanda e um janelão); pelo glamour da época barroca com os seus palácios distribuídos por todo o município e pelos casamentos régios de D. Manuel I com D. Leonor e de D. João III e D. Catarina, celebrados nos Paços do castelo (Palácio Teixeira Guerra), na vila do Crato, com pompa e circunstância.

    Sugestão de visita ao convento fortificado da Flor da Rosa.

    Fundado no século XIV por D. Álvaro Gonçalves Pereira (cujo túmulo fica no interior da igreja), o antigo convento fortificado da Flor da Rosa conjuga três edificações de tipologias diferenciadas, constituindo o núcleo primitivo, gótico, uma casa forte ou paço acastelado, junto a uma igreja-fortaleza, a que se adoçaram instalações monacais quinhentistas. Possui muros e torres construídos em alvenaria de pedra disposta à fiada ou com silharia e argamassa de cal. Em 1990 iniciaram-se as obras de construção de uma pousada anexa ao convento, utilizando algumas das suas dependências.

    Viagem para Constância, via Castelo de Almourol.

    O pitoresco castelo de Almourol está situado numa pequena ilha que já era habitada no tempo da ocupação romana da península; a partir do século VIII, foi ocupada pelos muçulmanos, que a terão conquistado aos visigodos. Classificado como Monumento Nacional, foi Residência Oficial da República Portuguesa durante o Estado Novo. O castelo está construído de forma a acompanhar os desníveis do terreno, com dois níveis interiores, o primeiro acedido pela entrada principal e o segundo, onde se encontra a Torre de Menagem, através de uma escadaria interior.

    A partir das 12h30: sugestão de almoço em restaurante de comida regional, em Constância.

    Localizado no centro de Constância, este restaurante sugerido pela TravelTailors está instalado numa casa popular do século XVIII. No primeiro piso funciona uma adega regional, sendo que o segundo se destina à sala de refeições, onde se serve uma ementa variada e de óptima qualidade.

    Viagem para Tomar.

    Tomar é conhecida pelos seus monumentos fabulosos, dos quais se destacam o Convento de Cristo e inúmeras edificações históricas e relíquias arqueológicas. Classificada Monumento Nacional desde 1921, a Sinagoga de Tomar é dos poucos templos judaicos coevos da presença deste povo em Portugal em épocas anteriores à expulsão a que foram sujeitos por D. Manuel I. A Sinagoga, construída entre 1430 e 1460, é um edifício de planta quadrangular, com 9,50 metros de fundo por 8,25 de largo. A sua altura corresponde à das habitações que a ladeiam, de rés-do-chão e primeiro andar. O tecto é composto por nove abóbadas ligeiramente ogivais, repousando ao centro sobre quatro colunas com capitéis ornados de motivos florais. Em cada um dos ângulos do tecto, um curioso orifício, denuncia a presença na alvenaria de ânforas de barro, com a função de regular a sonoridade dos cânticos durante o ofício religioso.  Embora a fachada do templo tenha feição renascentista, a sua construção é anterior ao século XVI. Sabe-se que o Infante D. Henrique, enquanto governador da Ordem de Cristo no século XV, foi o grande promotor da fixação dos judeus em Tomar, dando-lhes uma rua para aí constituírem o seu bairro e terem a sua sinagoga.  Ao tempo, foi chamada a Rua Nova, nome que era dado às antigas judiarias.

    A Judiaria de Tomar corresponde hoje à rua Dr. Joaquim Jacinto.  Apesar da presença hebraica em Tomar estar documentalmente assinalada desde o início do século XIV, é com a sua fixação em Tomar que o Infante envolve os judeus na empresa dos Descobrimentos Portugueses.

    Visita ao Convento de Cristo.

    O Convento de Cristo é um maravilhoso e formidável monumento com um prestígio e valor incalculável. Representa um espaço mítico desde a fundação do Castelo templário por Gualdim Pais, permanecendo no imaginário como a Casa dos Cavaleiros Templários. Nos seus Paços viveu e pensou a estratégia das Descobertas o Infante D. Henrique. Foi aqui, também, que o Rei D. Manuel I imprimiu, para o futuro, a sua concepção imperial do mundo, antes de D João III impor a sua visão de recolhimento e clausura.

    Foi este local que Filipe II de Espanha escolheu para marcar, simbolicamente, a tomada de poder em Portugal, e foi ainda por aqui que passaram algumas das tragédias dos séculos XVIII e XIX, como as Invasões Francesas e a Revolução Liberal. História tão marcante não impediu, todavia, longos períodos de apagamento, sobretudo até meados do século XX, a que se seguiram, mais recentemente, campanhas de obras de reabilitação, restauro e conservação do conjunto arquitectónico e envolvente.

    A arquitectura revela vários traços de várias épocas diferentes. Entre os estilos que mais se destacam estão o romântico, gótico, manuelino e barroco. Aqui seremos conduzidos numa visita guiada pelos cantos e recantos da memória do bastião templário onde lendas do Santo Graal e tesouros escondidos se fundem com a verdade histórica e a beleza da arte lavrada em pedra. Os símbolos serão falados. Os segredos, talvez revelados. Dois templários esperam-nos e irão combater para nós; depois mostram como se combate, a seguir, empunhamos nós a espada e seremos instruídos pelos mestres.

    A partir das 20h30: sugestão de jantar em restaurante de inspiração tradicional, em Tomar.

    Quem visita este restaurante tem a certeza de uma comida criativa. As entradas, todas elas originais, primam pelo bom gosto. A feijoada de caracóis merece ser experimentada, mas para não deixar as petingas no forno com ciúmes dê-lhes também umas dentadinhas. E os pratos? Bom, esses são cozinhados nos fornos a lenha. Agora delicie-se com esta ementa: bacalhau assado no forno com carne de porco, enguias de fricassé, coelho de abóbora e outras que não se fala para que não fique ainda com mais água na boca. Ah, o pão é de fabrico próprio. Tudo isto num espaço original e carismático, onde as paredes tanto são em madeira como são em tijolo, para gerar um ambiente a condizer, entre o rústico e o criativo. Tem lampreia na ementa, na época devida.

    Alojamento no hotel da categoria seleccionada.

  • DIA 4: TOMAR-CIDADE DE DESTINO

    Viagem até à cidade de destino.