TAVIRA

 

Cultura , Património e Natureza

 

Todos nós olhamos para o Algarve como sinónimo de sol, praia, mar e verão…mas Tavira é muito mais do que verão, é uma cidade encantada de arte e história.
A sua história perde-se no tempo, é uma cidade de recantos e encantos, atravessada pelo Rio Séqua e Gilão, que também tem histórias e lendas para contar. Diz a lenda que o cavaleiro Gilão e a princesa Séqua de facções militares opostas, apaixonaram-se e os seus encontros secretos eram de madrugada na ponte antiga. Numa madrugada, foram surpreendidos pela facção militar cristã e pela facção militar moura.

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Como sabiam que seriam acusados de traição, o que os levaria à morte, resolveram antecipar o sofrimento. Cada um atirou-se para um dos lados da ponte caindo os dois ao rio. Daí se explica porque um dos lados da ponte o rio de Tavira chama-se Rio Séqua e do outro lado da ponte o rio chama-se Rio Gilão…curioso, nunca se sabe quando as lendas nos contam a verdade!
Tavira foi habitada por vários povos, desde os fenícios, turdetanos,gregos aos romanos. Uma presença marcante foi a Islâmica que permaneceu nas terras do “Al Garb al Andaluz” – o Ocidente de Andaluz – , durante os séculos VIII-XIII, mais de cinco séculos.

Desde 1242, altura em que é reconquistada aos mouros, até à implantação do liberalismo, em 1834, Tavira ocupou um grande destaque na região.
Devido à sua importância estratégica para a defesa da fronteira portuguesa e também devido à sua riqueza da exploração marítima e nos campos férteis circundantes da vila, desde cedo verificou-se um grande crescimento da população atraindo a atenção dos monarcas.

Passear em Tavira é passar por muitos séculos de história, através da riqueza e beleza do seu património edificado.
Nos cumes de Santa Maria e de Santa Ana, temos uma panorâmica de Tavira que se estende sobre o Rio Gilão. Ao admirar a paisagem deparamo-nos com várias cúpulas, coroamento de torres e frontões de igrejas em número invulgar, mais concretamente 21 igrejas, sendo apelidada como “cidade das igrejas”. É detentora de um dos mais ricos conjuntos arquitetónicos religiosos do Sul do País.

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Começamos a nossa redescoberta de Tavira pelo centro da cidade, a Praça da República, junto ao rio e à sua ponte antiga. O anfiteatro-escadaria mesmo no centro da praça, proporciona momentos de descanso, e é, ainda, palco de festivais, arte de rua e concertos, dando muita vida e animação ao centro da cidade.
Atravessamos a ponte antiga, de características islâmicas que se fazem notar nos seus arcos. Desde as cheias de 1989, onde foram destruídos dois arcos a ponte passou a ser pedonal. Do lado do rio séqua prende-nos a atenção, as casas com escadas que dão para o rio. Foi-nos explicado por Sílvia Lourenço – que durante a nossa visita tão bem nos guiou – que em tempos os habitantes daquelas curiosas casas, saiam diretamente para o barco, seu meio de transporte.
Do outro lado da margem, casas do séc. XVI refletem-se nas águas do rio Gilão. Passamos o arquivo histórico municipal e seguimos até ao jardim do largo de S. Brás onde tem a Ermida de São Brás, de origem tardo medieval.
Novamente do outro lado do rio, passámos no jardim do coreto. O coreto foi durante um século, o principal centro das atenções e de todas as festas da cidade. Sentamo-nos num dos bancos verdes do jardim e apreciamos a magnífica vista sobre o rio gilão. Vemos pescadores nos seus barcos a arranjar as redes de pesca.
Em frente ao coreto encontra-se o antigo mercado da ribeira, um edifício histórico datado de 1887, que se destaca por ser um exemplar da Arquitectura do Ferro em Tavira. Desde 1999 foi recuperado para actividades de lazer, comércio e esplanadas.
Por todo o centro histórico encontramos portas de reixa, uma herança mourisca, com uma forte presença em Tavira. São portas feitas por um rendilhado de ripas de madeira sobrepostas formando desenhos geométricos. Permitem a iluminação do interior e a circulação de ar, sem expor a intimidade da casa.
Deparamo-nos também com casas nobres que exibem belas janelas e medalhões renascentistas, fruto de um passado glorioso.
Seguimos pela margem do rio até à estrada das 4 águas, onde no restaurante “Portas do Mar” parámos para almoço. À nossa espera tínhamos a simpatia da D. Irene e sua filha Marta que nos prepararam uns excelentes pratos para degustação. A vista era relaxante sobre o rio gilão e os pratos uma delícia. Desde o naco de atum com sementes, polvo enformado, polvo à lagareiro, filetes de bacalhau com cebolada de pimentos e pimenta preta, tamboril com molho verde às sobremesas tudo estava divinal.
Regressámos ao centro histórico, e no largo Abu Otmane vemos a entrada do castelo medieval, de onde se desenvolveram as muralhas da cidade. Segundo a tradição, todos os anos na noite de S. João, existe uma moura encantada no castelo que aparece a chorar o seu destino. O governador mouro Aben-Fabila, seria seu pai e aquando da conquista de Tavira pelos cristãos, desapareceu depois de encantar a sua filha. Diz-se que pretendia regressar para reconquistar a cidade e resgatar a sua filha, mas nunca conseguiu.
Existe um jardim no interior das torres da muralha. Subimos à torre octogonal da qual temos uma vista geral sobre a cidade e dos famosos telhados “de tesoura” ou de “quatro águas”. As telhas são de canudo e assentam em esteira de cana permitindo assim a circulação de ar. Conjuntamente com as portas de reixa, estes telhados, são uma forma eficiente de arejamento para os dias mais quentes.
À saída do castelo está a Igreja de Santa Maria do Castelo, foi construída no início do século XIII, provavelmente sobre a antiga mesquita maior muçulmana, após a conquista de Tavira aos mouros. A fachada principal é um pórtico gótico. No interior da igreja poderá observar o túmulo dos sete cavaleiros martirizados durante a tomada da vila e de D. Paio Peres Correia, mestre da Ordem de Santiago aquando da conquista de Tavira.
Sentado junto a uma muralha um turista fazia um esboço da Igreja de Santa Maria do Castelo, mostrou-me todo vaidoso e disse-me que costumava regressar todos os anos, fora da época balnear, para usufruir a calma da cidade e assim inspirar-se para as suas obras de arte.
Segue-se o quartel – Regime de Infantaria nº 1 – datado de 1795, é um dos mais antigos do país e um elemento marcante no contexto urbano, edifício de arquitectura pombalina. Está aberto ao público para exposições e conferências.
Regressámos ao nosso abrigo – o hotel Vila Galé Albacora, situado no Parque Natural da Ria Formosa, uma das 7 Maravilhas Naturais de Portugal.
Um hotel com muita história, local que outrora foi uma armação de pesca de atum. O “Arraial Ferreira Neto” era uma aldeia onde habitavam entre 400 a 500 pessoas. Era ali, entre Março e Setembro, que durante a faina pescadores e famílias viviam. Existiam armazéns de recolha e restauro de material, escritórios, padaria, escola primária, capela, posto médico e barbearia.
Atualmente foi convertido em hotel a partir das antigas habitações dos pescadores, preservando a arquitetura original e características culturais. A escola primária deu lugar a um clube de crianças, a capela foi restaurada e a padaria transformou-se no núcleo museológico da pesca do atum. Além de ser um hotel diferente, possui também certificação de Eco-Hotel. Um local sem dúvida, a experimentar, repetir e querer ficar.
Acordámos com o canto dos pássaros num sossego enorme que envolve a ria formosa.
A nossa guia esperava por nós para nos levar ao Convento Nossa Senhora da Graça que desde 2006 passou a fazer parte das Pousadas de Portugal. O convento fundado em 1542 pela Ordem de Santo Agostinho, tem a particularidade de ter sido transladado da praça africana de Azamor para Tavira. Em 1834, aquando da extinção das ordens religiosas, passou a funcionar como quartel. Actualmente, como pousada combina na perfeição as linhas clássicas e o ambiente acolhedor com os mais modernos equipamentos.
Continuamos a nossa descoberta pelo passado bem presente. Paramos no mais notável edifício da arquitectura civil da cidade – o Palácio da Galeria: projecto do arquitecto Diogo Tavares de Ataíde, o mais destacado do barroco Argarvio. Já foi residência nobre até ao início do século XIX e desde 2001 é utilizado para funções culturais tais como exposições sobre o património e arte contemporânea.
A antiga cadeia civil foi reconvertida em Biblioteca Municipal Álvaro dos Campos, projecto do arquitecto Carilho da Graça. Um lugar muito agradável que pretende assegurar a qualidade de vida dos visitantes na vertente cultural, educativa e científica.
Deixamos o centro da cidade e seguimos para a serra. O som dos sinos das ovelhas, os vários tons verdes, os ribeiros, o cheirinho das laranjas, os medronheiros com os seus frutos laranja e vermelho, as alfarrobeiras, as casas e igrejas caiadas guardam paisagens de outros tempos.
O frio fazia-se sentir, paramos para almoçar no restaurante “Monte-Velho”, o sítio mais agradável e acolhedor que poderíamos ter escolhido. A proprietária e também cozinheira D. Lídia preparou umas especialidades difíceis de esquecer. A lareira estava acesa o que tornou o ambiente ainda mais apetecível. Foi-nos servido empadão de pato com compota de amora, feijoada de javali, lombinho de porco com molho de figo e para a sobremesa tarte de amêndoa, tarte de alfarroba acompanhado de um mini licor de medronho. Tudo muito, muito bom. O lombinho de porco com molho de figo foi o meu preferido, tenho de lá voltar.
Para fazer a digestão, passeamos nas margens aprazíveis da ribeira da Asseca, uma área de grande riqueza e diversidade natural, onde tem a famosa cascata “Pego do Inferno” que no inverno é um local de perfeita tranquilidade.
Regressámos ao hotel Albacora, para um passeio de barco pela Ria Formosa, no seu vasto ecossistema de características ecológicas singulares, que se estende por uma área de cerca de 20.000 hectares e 60 kms de costa. Num horizonte dominado pelas águas, o sapal suporta uma reserva biológica e ecológica de raro valor, com espécies de fauna e flora únicas no mundo, constituindo um ecossistema muito rico e completo.

Um outro olhar sobre Tavira que respira cultura, património e natureza. Para conhecer esta cidade erguida à beira da água e sentir a sua atmosfera, basta vaguear sem destino e recuar no tempo.

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